Uma comunidade de advogados localizada na subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Pompéu, Minas Gerais, tornou-se palco de mensagens transfóbicas. Um advogado chamado Leonel Anselmo de Carvalho compartilhou imagens que faziam chacota de mulheres trans, associando-as a trabalhos braçais e ridicularizando sua identidade. As publicações chegaram a receber reações de outros membros do grupo, com alguns expressando risadas e considerando o conteúdo como “entretenimento”. No entanto, a situação gerou reações negativas entre os membros do grupo, incluindo a advogada Juçara Valdares, que mencionou que a publicação de Leonel Anselmo era muito perturbadora, especialmente considerando que ela tem uma filha trans. A situação levou à protocolização de uma notícia-crime contra o advogado Leonel Anselmo.
O caso aconteceu no grupo de WhatsApp institucional da OAB Pompéu, que reune 91 membros, incluindo o presidente da subseção, Levi Campos Vasconcelos. Segundo as diretrizes do grupo, o espaço tinha o objetivo de compartilhar informações jurídicas e era proibido qualquer desrespeito entre os integrantes. No entanto, nas mensagens compartilhadas, Leonel Anselmo postou uma imagem ridicularizando mulheres trans e associando-as a trabalhos braçais. Além disso, outros membros do grupo compartilharam mensagens que também continham conteúdo preconceituoso. Em uma dessas mensagens, Leonel Anselmo encaminhou ao grupo uma montagem simulando uma notícia jornalística, que exibia a foto da deputada federal Erika Hilton acompanhada do título fabricado: “Presidenta da Comissão da Mulher é internada às pressas com torção testicular”.
A representação protocolizada contra Leonel Anselmo destaca que o material consistia em desinformação, visando produzir escárnio, inferiorização e humilhação pública. Além disso, as publicações compartilhadas também chegaram a gerar reações de outros membros do grupo. A advogada Juçara Valdares, que é mãe de uma filha trans, expressou sua reação ao considerar a publicação muito perturbadora, especialmente considerando a realidade concreta e familiar de membros daquele fórum.
O caso aconteceu em 19 de março, e os membros do grupo ainda não entenderam por que o grupo institucional não cumpriu com a regulamentação estabelecida, mesmo sendo que a reação da advogada Juçara Valdares, em nome de sua filha, foi uma clara advertência.
